Só acontece comigo #6




Aviso: se você possui problemas cardíacos favor não ler o quadro a seguir. Atenciosamente, essa coisa que vos fala.

Antes de tudo gostaria de deixar claro que o "Só acontece comigo" de hoje deixará marcas. Roxas inclusive.

Quem mora na capital paulista sabe o caos que é a vida de quem depende dos transportes públicos da mesma, inclusive a situação é tão precária que muitos cidadãos acharam justo sair nas ruas quando decidiram aumentar o preço da passagem, porque cá entre nós, dinheiro nenhum deveria pagar a humilhação que é estar dentro de um ônibus/trem com pessoas fedendo a peixe sem vida sexual ativa encostando em você que só queria voltar pra casa tranquilamente depois de um dia de trabalho. Pois bem, acompanhem os seguintes acontecimentos.

Meio de semana, mais de cinco horas da tarde, trem atrasado vindo da estação Brás (ou seja, gente mais fedida que rua de feira) mais de trinta pessoas tentando entrar em um vagão e eu era um dos felizardos. Após muito aperta aqui, aperta ali, deixa eu por meu braço na sua cabeça, nossa de quem é esse pé aqui, finalmente estávamos todos muito bem aconchegados no vagão, já estava até me acostumando com a moça que fez o favor de deitar a cabeça na minha mão, pensei até em fazer um cafuné sabe? E eis que me entra um idoso de muleta. Até ai tudo bem. Pensei que alguém fosse dar lugar ao bom velhinho. Mas, para minha surpresa, ele não era um bom velhinho. O trem começou a andar, a respiração começou a falhar e o bendito velho - não voltarei a chamá-lo de idoso porque é respeitoso demais - se espremia entre cada pessoa para pedir esmola. SIM MEUS AMIGOS, ESMOLA. Porque você se aposenta olha pra sua conta bancária e pensa "Ah, esse dinheiro não é o suficiente, vou entrar num trem lotado e pedir esmola huehuehuehue". Estação vai, estação vem, eu chego no meu destino depois de 45 minutos em um percurso que geralmente levaria no máximo 20 e para a minha sorte o bendito velho ia descer no mesmo lugar que eu, essa é a vida dando mais um "tapinha não dói" na Tatiane.

E ai todo mundo pensa: "Mas ele já estava descendo, você também já estava descendo qual o problema nisso?". O problema nisso caros leitores, é que a estação em que eu desço é uma das mais movimentadas, ou seja: haviam mais vinte pessoas querendo entrar e outras trinta tentando sair. E lá estava eu, na porta do trem, aguardando que as pessoas a minha frente andassem para que eu desembarcasse, e o coisa linda de vovô se estressou porque não conseguia sair e decidiu que seria muita cidadania da parte dele pegar a muleta e jogar nas costas de quem? Isso mesmo, DA TATIANE! Normal, todo dia que pego trem lotado com minha muleta e não consigo descer bato na pessoa que está na minha frente e deixo um hematoma na mesma.

Não sei se a informação a seguir é útil, mas não consegui nem encostar minhas costas na cama, de tão bonito que o negócio ficou. CPTM deixando marcas memoráveis em minha vida.
A conclusão é:


Boy magia já disse tudo.

Meu lugar.

Há lugares que nunca mais voltam a ser os mesmos. Um simples momento vivido ali pode torná-lo uma lembrança contínua do passado. Bastam cinco minutos para que sua mente torne uma árvore, uma rua, um banco algo extremamente sentimental. E quão fácil é se perder entre lembranças e sentimentos?

Perder-se. Não se resume apenas em desconhecer o local em que se está e ter de se guiar por um mapa, GPS, ou pedir informação a estranhos. Há maneiras piores de se perder, como por exemplo: perder-se em determinada pessoa.

É tudo uma questão de cautela, antes de conhecer uma pessoa tento colocar uma placa imaginária nela com os dizeres "Cuidado, não se aproxime", mas há pelo menos uma pessoa no mundo todo em que eu mesma ignoro a placa que crio, e ela foi essa pessoa, desrespeitei os limites e me perdi nela. E quando se está perdido, qualquer passo a mais pode te levar ao abismo.

Como diz aquela música: "No abismo que é pensar e sentir". Eu estava nesse abismo, e cair não parecia ser tão ruim, porque lá embaixo eu te encontraria e não cairia no chão. Mas eu me esqueci do principal, não me deixar perder. E me perdi. Caminhei cada vez mais até não sentir o chão abaixo de meus pés. Era o abismo. Eu caia em queda livre. Entregava-me cada segundo mais. E me enganei. Não havia ninguém me esperando no fim da queda, dei de cara com a terra. E o impacto foi grande, seus hematomas não estão mais aqui, mas as cicatrizes ficaram.

Cada vez que passo naquela rua, naquele beco, naquele parque, tenho a impressão de que a cicatriz se abre e volta a ser ferida. A dor retorna e eu me perco outra vez. Mas dessa vez não caminho em direção ao abismo. Não há mais por onde andar. Não há mais como cair. São só lembranças. São sentimentos que teimam em aparecer nos momentos mais inusitados.

Aquele é o meu lugar. O lugar em que eu sempre me verei, em que sempre verei você e seus sorrisos. Aquela sua mania de sorrir e olhar pra baixo. Aquela sua mania de encostar o nariz no meu e ficar de olhos fechados. Tudo sempre vai estar lá. Eu sempre vou estar lá. E você? Você está em algum outro lugar.

Só acontece comigo #5

Era pra ser mais um dia normal na fila de caixas do mercado com minha mãe e minha avó. Era.
Minha mãe pega uma revista teen da prateleira que fica ao lado da fila de poucos volumes do tal mercado e a mostra para minha avó, dizendo:

- Olha mãe, o que você acha desse ator? Bonito não é? (vulgo Caio-Todas-Acham-Lindo-Menos-Eu-Castro).

E eu, que considerava minha avó o ser mais inocente desse mundo, ouvi a seguinte resposta:

- Nossa, se eu fosse mais nova hein!

CONGA, LA CONGA, CONGA, CONGA, CONGA.


 Minha infância foi destruída, apenas.

O não saber.


Acho engraçado a condição de vida do ser humano. É tão estranho não ter previsão do que vai acontecer. Um dia está tudo bem, no outro nem tão bem assim. Um dia você quer comer salgados, no outro doces. Em um dia você reclama da rotina que leva, e em outro sua vida vira de cabeça pra baixo e você tem que se acostumar com um novo jeito de encarar as coisas.

Pra ser sincera, nem sei qual o motivo de eu estar dizendo que todas essas mudanças repentinas que nossas vidas sofrem são estranhas. Digo, como posso eu estranhar a inconstância se o próprio nome do meu blog é Novembro Inconstante? Se eu mesma sei que entre dez pessoas sou a mais inconstante delas? Ah, eu não sei mais o que queria falar.

O problema é exatamente esse, a gente nunca sabe. A gente nunca sabe quem vai nos ajudar quando as coisas realmente ficarem ruins, a gente nunca sabe quem vai se afastar sem motivo nenhum, nunca sabe como vai ser o dia seguinte, nunca sabe a revira volta que pode acontecer em menos de uma hora.

Mas e se soubéssemos de tudo? E se tivéssemos previsões do futuro? Talvez muitos teriam desistido da vida há muito tempo. Porque se tudo realmente é movido pelo destino, cada um nasce com um propósito, e se por exemplo um mendigo aos seus dez anos de idade previsse que se tornaria um morador de rua, será mesmo que ele deixaria a vida continuar? Afinal, dizem que o destino está escrito e ninguém pode mudar... Talvez seja melhor não saber, talvez as mudanças sejam o melhor jeito. Porque se há mudanças, há a esperança de que sua vida pode melhorar, não importa a situação em que você atualmente esteja.

Só acontece comigo #4

Hoje vou falar sobre a Tatiane.

Tatiane tem dezesseis anos, trabalha, estuda, e não faz nada que prejudique outras pessoas.

Todos os dias, Tatiane segue uma mesma rotina. Acorda às 7h00min, toma seu banho, se arruma, toma seu café da manhã e às 08h20min sai de casa para mais um dia de trabalho. Após pegar ônibus, trem e metrô exatamente ás 09h40 Tatiane chega em seu local de trabalho, aguarda às 10h00min e inicia suas atividades, permanecendo em tais até às 16h00min. Tatiane volta para casa às 17h30 após ter pegado metrô, trem e ônibus. Então, Tatiane se arruma, se alimenta e segue para a escola, onde permanece das 19h00min às 22h55min. Tatiane volta para casa, se alimenta, espera o sono chegar e no outro dia repete as mesmas coisas.

Mas no dia 04 de Novembro de 2013, a vida resolveu que seria legal fazer uma brincadeirinha com a menina Tatiane. Após sair do trabalho, Tatiane deveria ter pegado metrô, trem e então um ônibus. Porém, quando a menina Tatiane tateou sua carteira para encontrar o dinheiro que pagaria a passagem de seu ônibus, descobriu que só possuía R$2,75. Sendo a passagem de ônibus R$3,00, a menina Tatiane não tinha dinheiro para voltar para sua casa. Mas ora, o que poderia ter acontecido com os 25 centavos faltantes? Naquele mesmo dia, Tatiane doou os 25 centavos para as crianças com câncer do Mc Donald's. As crianças com câncer estão sendo ajudadas, Tatiane está sem ter como voltar para casa. Tatiane teve que andar por mais de quarenta minutos seguidos até chegar em sua casa. Tatiane caminhou embaixo de chuva por quarenta minutos. Tatiane ficou com as barras de sua calça jeans encharcadas. Tatiane escutava o barulho de seu All Star molhado. O All Star de Tatiane é de couro. O couro do All Star de Tatiane está fedendo e encharcado. A bolsa de Tatiane também se molhou. O livro de Tatiane que estava dentro da bolsa também se molhou. O livro que estava dentro da bolsa de Tatiane era seu livro preferido. Tatiane, ao chegar em sua residência, virou sua bolsa para que as coisas que estavam nela caíssem, Tatiane descobriu que no fundo de sua bolsa haviam R$ 3,00 perdidos. Tatiane descobriu que na verdade possuía R$ 5,75. Tatiane poderia ter voltado para casa de ônibus, mas Tatiane descobriu isso quando já era tarde demais. Tatiane está digitando este post neste exato momento.

A vida é nada mais nada menos, do que esse eterno ciclo de voltar para casa a pé e após muito tempo encontrar o dinheiro de sua passagem no fundo da bolsa.

Pelo menos Ronald McDonald está feliz, vamos ser positivos.