As respostas que o povo precisa ter.

Eu  odeio responder perguntas. Só de ouvir um "Por que..." no início de alguma frase sinto meu sangue borbulhar. E o fim de ano se resume em perguntas, o que me irrita muito. "Como foi seu natal?", "O que você vai dar de presente de natal pra fulano?", "E ai, vai passar a virada aonde?", "Vai usar que roupa na virada?" e depois de muito me irritar com isso, venho aqui para responder o que o povo brasileiro tanto quer saber: o que farei eu durante a virada do ano? Com que roupa passarei? Amigos, eu vos digo, eu vou é dormir.

Já postei aqui sobre maneiras de se sentir feliz, já que obviamente a vida se trata da busca pela felicidade, e depois de indicar a comida venho indicar a sonequinha, dupla perfeita do sedentarismo.

Não há nenhum plano para a virada que me deixe mais feliz do que dormir sem ter que acordar cedo para trabalhar no dia seguinte (dormir depois daquela queima de fogos infernal, que até hoje não entendo, qual o sentido de estar entrando um novo ano e jogar uns treco no céu que faz barulho e é colorido? Odeio perguntas mas amo faze-las, just saying) o local da minha virada é a minha cama, e minha roupa pra virada é meu pijama. Agora mandarei o link desse post para todas as pessoas do meu local de trabalho antes que eu faça elas terem uma virada não de ano, mas de rosto quando eu der um tapa na cara. E gostaria de lembrar que: a soneca após a comidinha e vice versa, é mais bem vinda ainda.

Tudo o que 2013 (não) foi.

Do latim: tudo o que eu deixei de fazer por pura preguiça/mau humor/falta de vergonha na cara.

Enquanto metade desse universo se desespera com as compras para o natal, ano novo, amigo secreto ou passagens de viagem eu me desespero por perceber que faltam menos de dez dias para o ano acabar e que não fiz muita coisa nele (talvez eu na verdade não tenha feito nada a minha vida inteira, mas me deixem achar que foi só esse ano pois assim me sinto melhor).

Eu não consigo ser uma pessoa equilibrada o suficiente pra sair rindo para os quatro ventos e postando frases no Facebook que só mostram para as pessoas como eu estou bem, pelo contrário, tenho mania de ser transparente, mostro tudo que penso com um olhar, com um gesto, não consigo me esconder em uma fachada superficial, se sou transparente, não tento colorir o que não possui cor e 2013 foi literalmente essa revistinha de colorir que toda vez que eu tentava pintar uma página a ponta do lápis quebrava e o apontador não era bom o suficiente para que eu continuasse com o processo, então eu desistia.

E esses dias me peguei pensando, foi 2013 um ano ruim ou o problema é comigo? Será que na verdade eu fiquei minha vida toda tentando colorir um desenho que nunca existiu? E depois de noites pensando nisso eu percebi que não, o problema não é comigo, o problema realmente foi com o ano, aconteceu muita coisa ao mesmo tempo, muitas mudanças, muitas perdas, muitas descobertas, e a maioria delas não foram assim tão boas, o que fez com que eu me afastasse, me levou pra um mundo paralelo e eu fiquei ali, com a chave na mão mas sem querer abrir a porta, porque talvez ao abrir a porta ela seria na verdade a porta de um armário de bagunças, onde tudo despencaria em cima de mim.

É claro que eu não vou bancar a revoltadinha e dizer que foi completamente uma merda, sei reconhecer as coisas boas que me aconteceram. Conheci muita gente nova, consegui meu próprio emprego - bufunfa, dinheiro, propina, money, oncinha - aprendi a dar valor pra muita coisa, conquistei mais liberdade, percebi que há amigos e "amigos", dormi, comi, percebi que perdia meu tempo com coisas que só me destruíam e as abandonei e consigo reconhecer que foi melhor assim, dói muito no inicio mas depois de um tempo você vê que na verdade não era essencial. E com isso eu descobri exatamente o essencial: cada coisa no seu tempo.
A calma resulta na paz, na alegria da conquista merecida. E essa última frase pareceu uma citação bíblica o que me mostra que é hora de parar por aqui.

2013 não foi como eu pensava, foi pior sim, mas me fez crescer muito mais do que eu cresceria se ele tivesse sido do jeito que eu queria, eu amadureci de um jeito que talvez se nada disso tivesse acontecido eu teria demorado uns seis anos para amadurecer, e é por isso que de certo modo fico feliz com tudo o que aconteceu.

Nunca pensei que iria dizer isso em um fim de ano, pelo clichê da frase, mas eu realmente espero que o próximo ano seja bom, não como eu gostaria que fosse, mas como tudo deve ser.

Transbordar.


Eu  fico perambulando os dedos pelo teclado numa tentativa de transbordar minha alma por meio das palavras, mas quando transborda afoga, quando afoga sufoca. Eu paro. Receio. Insegurança.

É estranho como fica mais fácil transbordar quando há na alma um mar de lágrimas querendo sair, quando o drama nosso de todos os dias fala mais alto do que quando o que precisa ser transbordado é o calor, não aquele que pinica, aquele que te deixa com vontade de sair, de se libertar. Você me liberta.  Me liberta da minha bolha de sabão, nem que por apenas algumas horas.

Me afogo, não nas lágrimas, não na libertação, mas no medo. E eu sei o quanto isso te incomoda. Só te peço pra ignorar o drama, a insegurança e a chatice. É uma troca entende? Vamos assim, transbordando mas sempre ali estendendo o braço caso alguém precise ser puxado de volta pra não se afogar.

E quando eu paro pra pensar em todos os clichês, em todos os romantismos não tão românticos assim porém para nós sim a única coisa que me vem a mente é "O mundo da voltas e surpreende amor..."

E pra quem não sabia se expressar bem com palavras escritas, você soube exatamente como fazer parte do inicio, meio e principalmente do fim de tudo o que aqui transbordei.

Só acontece comigo #7



Como vocês já devem ter reparado, o transporte público tem me deixado momentos memoráveis, desses que aos oitenta e tantos anos você vai estar sentada numa poltrona numa tarde de domingo com cinco netos sentados em perninha de índio no chão ouvindo as histórias da sua vida. A história de hoje se passa em um sábado, antes das dez horas da manhã, em um vagão qualquer do metrô paulistano.

A menina Tatiane entra no vagão e se senta ao lado de algum ser humano nunca antes visto em sua vida, deixando sua bolsa com uma estampa do AC/DC sobre o colo. Momentos depois o ser humano até então nunca antes visto estica o braço e deixa a mostra a tela de seu celular. A menina Tatiane vê que o tal estranho estava escutando AC/DC e como toda pessoa normal pensa: "Tem bom gosto!" e segue com sua vida. Mas o ser humano não seguiu com sua vida. Cada vez que a música acabava o estranho apertava replay e quase colocava o celular sobre o rosto de Tatiane para ter a certeza de que ela já tinha visto que ele escutava a mesma banda que ela. E assim fomos por sete estações com destino a "Highway To Hell". E não, eu não me dei o trabalho de puxar papo.


Deixo aqui um recado: não é porque temos o mesmo gosto musical que irei socializar com alguém, grata.

Pelo direito de usar regatas.

Como um homem se sente ao sair na rua.
A gente vê o mundo evoluindo em sentidos tecnológicos, mas a mente do ser humano parece não acompanhar a evolução. Pleno ano de 2013 e quantas não são as reclamações de assédio sexual? Pois é exatamente disso que venho falar hoje.

Uma coisa é você sair na rua com a real intenção de provocar terceiros, e outra totalmente diferente é sair na rua em um dia de verão e querer usar uma regata para tentar amenizar o calor. Mas tem gente, cuja mente acha que mulher só existe para ser usada como objeto sexual, que ainda não consegue entender que se eu saio com uma regata na rua não é porque quero chamar atenção, não é porque quero gente assobiando pra mim, eu sou um ser humano como qualquer outro e também sinto calor, também passo mal quando a temperatura aumenta, não é porque sou do sexo feminino que vou sair na rua toda coberta em baixo de um sol tão quente que se você colocar um nuggets congelado no asfalto vai vê-lo fritar, até onde eu me lembre, não moramos no Paquistão pra eu ter que me esconder em baixo de tecidos.

Noção do ridículo. Taí uma coisa que deveria vir embutida nas pessoas quando nascem, do mesmo jeito que existe o teste do pezinho, devia ter algum teste feito na maternidade mesmo, pra ver se a pessoa nasceu com pelo menos um pouco de noção, e as que não tivessem deveriam ser inclusas em uma série de tratamentos rigorosos, porque vou te contar, quanto mais pessoas cruzam meu caminho, mas eu tenho certeza que é isso o que falta na maioria delas. Cá entre nós, um homem que passa do seu lado e manda beijo, assobia, fala "Ô lá em casa" tem noção? Não gente, não tem noção nenhuma, pensa que deixou a mulher louca, louquinha por ele, mas amiguinho, vou te contar um segredo: o máximo que eu sinto com isso, é repulsa. A partir do momento em que eu sou uma pessoa que nem de shorts saio por vergonha, e coloco uma regata comportada, nada mais sensato do que o ser com alma de pedreiro ter noção de que eu estou com calor e não com vontade de ser usada.