Só acontece comigo #25

A imagem é filosófica mas o post não.

Vai ter um Só Acontece Comigo atrás do outro? Sim meus amigos, porque mesmo eu ficando sem sair de casa por uma semana, quando resolvo sair as forças cósmicas do universo se unem em uma incrível dança de boas vindas. O relato a seguir aconteceu na cidade de São Paulo, no dia 29 de Julho de 2015, ás 16h20min horário de Brasília, quando o que poderia ter sido apenas uma ida ao dentista, tornou-se um evento memorável.
Eu me locomovo com o transporte público, pois vejam bem, papai não está disponível diariamente para me atender, e apesar de a grande maioria das pessoas passarem a vida alimentando a esperança de que após os 18 anos um carro e uma carteira de habilitação para dirigir o mesmo apareceram magicamente nas nossas vidas, a realidade está ai para provar que aos 18 o máximo que se tem é uma tensão muscular. Pois bem, fui de ônibus para a consulta, tudo lindo, tudo ótimo, estava com fones nos ouvidos, mas percebia uma movimentação estranha, uma senhora parecia estar guiando o caminho para o motorista, mas não me importei, porque quando uma empresa coloca determinado motorista na sua linha de ônibus, você confia e entrega sua vida nas mãos do cara. O problema é que o homem não fazia a mínima ideia do que ele estava fazendo ali, pela primeira vez vi alguém com uma expressão facial digna de O QUE É QUE TA ACONTECENDO COM A MINHA VIDA, e a senhora que guiava o caminho não deveria ser exatamente um guia, coleguinhas.
O motorista muito convicto de que estava fazendo a coisa certa, visto que a senhora não foi contra o caminho que o mesmo estava tomando, passou do ponto certo e pegou a rua errada. E ai que era uma rua sem saída, né? E ai que eu fiquei nervosa por ele e comecei a ter um ataque de riso, né? E ai que o garoto sentado ao meu lado ouvia Lady Gaga, né? E ai que pra piorar a situação o moço do meu lado mostrou-se e começou a ter surtos de ai-meu-Deus-meu-passeio-foi-arruinado.


Pois o bom homem fez o esforço de pegar um viaduto que retorna ao lugar original, e nisso ganhamos uns 10 minutos de passeio gratuito dentro do busão, e o bom homem por ter sido um bom homem ganhou aplausos quando retomou o caminho, com direito a um discurso baseado em "Me desculpem, de verdade, sou novo aqui e não conheço o bairro, só sei andar no centro da cidade mesmo, meu chefe não mandou ninguém para me ensinar.", enquanto a senhora guiadora ganhou diversos xingamentos porque veja bem, a culpa não é de quem mandou um motorista que nem sequer conhece o bairro dirigir aquela linha, e sim da pobre senhora distraída que se esqueceu de mostrar o caminho certo ao bom moço.


Pra completar eu chego ao dentista e ele sempre muito coitado me conta o quanto é difícil manter a casa, a escola particular dos filhos, os consultórios (dele e da esposa), os carros e o apartamento na praia. Já pensou que horror ter tudo isso, gente? Seria bem melhor se ele dependesse do transporte público, com certeza seria.

*Agora o blog é importante e tem página no Google +. Estão sentindo isso? É o cheiro da riqueza.

Só acontece comigo #24


Não dá pra esperar atitudes certas de nenhum ser humano, qualquer pessoa com mais de 10 anos (até menos, eu, por exemplo, descobri no jardim de infância depois de levar uma mordida da minha amável colega) já sabe disso. Mas existe um grupo certo do qual nós nunca esperamos algo surpreendente, existem pessoas que até ousam dizer que todas elas são iguais, estamos falando das mamães, claro.
No exato dia em que eu nasci Deus deve ter falado "vai lá e aguenta fiote", porque vejamos bem, até minha mãe me surpreende. Em uma noite calma e tranquila de domingo, com o sol fazendo o tímido que quer ir embora, mas ainda está lá, andando pelas ruas vazias junto aquela que me deu a luz, começamos a conversar.

-Agora eu sou solteira ou divorciada? -diz mamãe.
-Divorciada, né.
-Ai que triste. Não quero falar isso.
-É só não falar. Quando te perguntarem seu estado civil responde "feliz".
-Estado civil: vivendo.
-Estado civil: comendo.
-TATIANE, OLHA O RESPEITO. 
-EU TO FALANDO DE COMIDA, MÃE.

"Ai o que tem demais nessa conversa, menina estranha, fica fazendo post sobre isso". Entendam o trauma do momento, meus caros. Minha própria mãe, levando as frases para outro sentido enquanto eu, falo inocentemente, é o fim dos tempos!

~2012 feelings~

Espaços.


Se eu pudesse voltar atrás em cada ódio que disse sentir em voz alta e trocar por amor, faria sem pensar. Se eu pudesse desfazer cada abraço mal dado e, ao invés de deixar os braços tão soltos, apertá-los até o ar faltar, faria sem reclamar. Se eu pudesse brincar na chuva, na terra, na areia, e não me arrepender de nada disso quando ficasse doente, já compraria os remédios. Se eu pudesse voltar atrás em cada briga sem sentido que estragou um dia bonito, já teria um pedido de desculpas na ponta da língua para cada vez que preferi discutir ao invés de apenas ouvir.

Falar que a partida será melhor e resolverá todo o problema é bem mais fácil quando apenas a imaginamos, mas encara-la ali, seja dizendo apenas um até breve no lugar do adeus, sufoca tanto que o pulmão parece se esquecer de fazer sua parte lá dentro. Eu até pedia, mas não esperava, e agora que aconteceu, realmente agradeço muito pelo sistema central autônomo ser o responsável pelos batimentos cardíacos, porque eu realmente não saberia continuar. Eu não sei como continuar, mas continuo pelo simples fato de estar viva.

Quem decide quais serão os tamanhos dos nossos problemas, somos nós. Eles podem se tornar um enorme buraco que te engole ou podem ser apenas uma pedra no caminho, que no máximo te fará tropeçar e nada mais. Eu optei pela pedra, mas vez ou outra queria ter o buraco pra poder passar um tempo dentro dele sem todas essas pessoas, pensamentos e espaços vazios para me incomodar.

Tem um espaço vazio em cada cômodo dessa casa, tem um espaço vazio em cada foto, cada prato e cada copo. Tem um espaço que por muito tempo eu desejei esvaziar, só nunca pensei como seria tentar enche-lo novamente.

Blogagem Coletiva: 5 coisas que eu odeio.

Ou no título original: Coisas que todo mundo ama e eu odeio.

Que o Círculo Secreto das Bruxas Blogueiras reúne as blogueiras mais góticas e conceituais dessa internet mensalmente todo mundo já sabe, mas o bacana dessa proposta de post é que sempre rola aquele friozinho na barriga pra saber qual o novo tema. Depois de um longo tempo em votação, sobrevivente de um empate, o tema para o mês são todas essas coisas que o mundo ama mas nós não. Desçam de suas vassouras e acompanhem esse Top 5 mais que especial.

Essa imagem define meus últimos meses na rede social.
5 - Facebook.
Conheço muita gente que morreria sem a rede social (e que faz dela seu principal meio de comunicação), apesar de usá-la diariamente, não passa de falsidade da minha parte. A quantidade de coisas desnecessárias que esse carinha azul já causou, até na minha vida pessoal, poderia corresponder a um processo que nem Jesus sairia vivo.


4 - Pés.
Tá, nem todo mundo ama pés, mas só de pensar que existem pessoas com fetiche por essas coisas, sinto o mundo girar e minha vista começa a escurecer. To. Passando. Mal.







3 - Esmalte para unhas. 
Em minha defesa digo que acho sim muito bonito, mas nas minhas mãos a história muda. Ás vezes me rendo ao mundo da estética e dou uma cor nas minhas unhas (nesse momento elas estão pintadas pela segunda vez no ano, inclusive) mas sinceramente essa camada de tinta nos meus dedos começa a me deixar agoniada, as coitadinhas não respiram.




2 - Baladas.

video
Eu podia fazer um texto dissertativo com teses precisas sobre o meu ódio a esses lugares. Gente chata, música chata, preços altos, roupas feias, luzes que cegam, suor, É O INFERNO.

1 - Melissa.
Uma imagem vale mais que mil palavras (e um chulé também).
Sem falar das cores.
Dos enfeites.
Do cheiro que as lojas tem.
É um trauma constante.













Por bem ou por mal.

Nunca confiei em carpe diem, a meu ver sempre foi algo de uma irresponsabilidade enorme, onde já se viu acreditar que a vida precisa ser assim tão livre? Precisamos pensar no futuro, no que vem depois, precisamos ter sempre nosso plano a e nosso plano b. Foi assim que cai das nuvens, essas que antes já não eram tão macias, deixaram saudades quando senti o duro chão.

Sei que a vida não é sempre um arco-íris, que precisamos de tempestades e todos aqueles papos de livros de autoajuda, mas quando estamos em uma situação ruim é tão difícil ler esses conselhos sem querer socar a pessoa que os escreve, afinal, como ousa tratar meus problemas de forma tão natural? Desde pequena sempre te vi como o monstro de tudo, não por me falarem isso, mas por eu ter criado essa imagem sua em minha mente, coisa de criança, que eu preferia ter deixado em minha infância. Os anos passam e quando se tem medo de alguém, a convivência fica mais difícil, qualquer aumento de voz pode se tornar em um desentendimento enorme. Você nunca foi muito aberto, sempre foi responsável e por isso nem parava muito em casa, o nervoso é sua marca registrada, explodir é sempre melhor que guardar todas as coisas ruins, concordo, mas isso te derrubou. Nunca tive momentos que pudessem ser relembrados com você, mas sempre notei seu esforço para recuperar isso, as tentativas de me fazer rir mesmo com suas brincadeiras chatas, seus convites para o cinema ou para comer fora, sua preocupação com meus estudos e seus conselhos quando algo no trabalho me deixava mal. Lembro-me daquela vez em que passei mal, você nunca tinha presenciado como era, quando meus olhos se fecharam você estava desesperado, e quando os abri você se mantinha do mesmo jeito enquanto tentava ajudar. Uma vez você me disse que gostava de conversar comigo porque nossa conversa fluía, eu concordei um pouco acanhada, e mais tarde consegui te contar sobre esse medo que me persegue (talvez eu sempre tenha idealizado uma pessoa diferente da que você é ou, quem sabe, nem seja sua culpa).

Já passamos por isso uma vez, mas eu era tão pequena que me contentava em te ver aos fins de semana e nem reparava a bagunça em que vivia. Hoje, apesar de não suportar seu jeito, de às vezes ter medo, eu percebo o quanto é ruim pra você e pra todo mundo. Hoje, descobri que devo viver um dia de cada vez, se possível uma hora de cada vez. Descobri a dificuldade de um final definitivo. Eu só queria conseguir te dizer pessoalmente que sinto sua falta (porque todo momento ruim tem um momento bom para ser lembrado junto), que me preocupo e que nessas quase duas semanas o que mais tenho pensado é se você está bem sozinho, se consegue se virar, queria conseguir te dizer que te ajudo a tentar recuperar as coisas que não fizemos quando eu era pequena e principalmente, queria conseguir me desculpar por tudo e dizer que você é sim muito importante. Mas nisso somos iguais, e eu simplesmente não consigo demonstrar muito meus sentimentos. Espero que assim como no meu caso, você consiga perceber com minhas pequenas atitudes, que eu te perdoei por tudo que já passou e por tudo que ainda pode vir pelo simples fato de nós dois estarmos ligados um ao outro para sempre, com medo, com raiva e principalmente quando nos damos bem.